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| Mapa do mundo de Beatrix Potter |
Ao longo das férias, minha filha pequena e eu demos início a um experimento intrigante. Ela encanta-se com a obra de Beatrix Potter e não deixou de notar que em As Aventuras de Pedro Coelho (Ed. Companhia das Letrinhas) há um "mapa do mundo" em que se passam as histórias deste e vários outros personagens.
Certa tarde, ela teve a ideia de "passear" por esse mundo. Indagada sobre o ponto de partida, ela apontou para uma casa em que estavam a Srta. Moppet e seus filhos travessos, com os quais puxou assunto, narrando brincadeiras com os bichanos. De lá, seguiu por estradas, colinas, prados, pontes e ruas, sempre conversando com algum bicho que ali estivesse.
Após vários minutos paramos, para recomeçar outro dia. Cada "passeio" levava o tempo aproximado de um conto curto, e as interações foram se aprimorando. Por vezes um personagem pedia um pequeno favor, ou tinha algum problema que minha filha se dispunha de imediato a resolver.
Em um determinado momento, ela quis sair da estrada e adentrar a mata fechada ao norte da Colina do Touro, passando perto da casa de inverno do Sr. Raposão; o larápio se ofereceu para guiá-la mas, já conhecedora de suas artimanhas, nossa protagonista recusou a proposta.
Como estava sem lanterna, ela se perdeu na floresta, porém uma coruja apareceu e propôs mostrar o caminho para a saída em troca de algo que achasse interessante. Minha filha pensou um pouco e foi correndo para o quarto pegar um livro para dar de presente. (Afinal, o que mais poderia entreter a sábia coruja?)
A última aventura envolveu uma incursão pela horta cheia de perigos do Sr. Severino, para tirar Pedro Coelho de mais uma enrascada. Quando saíam de lá, dois cachorros partiram no seu encalço. Minha filha disse que tinha um osso com ela e o jogou aos cães para distraí-los.
Nesse momento, resolvi acrescentar um elemento ao nosso jogo: mostrei a ela um dado (ela já conta os pontos de cada face) e disse que, se saísse 1, algo péssimo aconteceria -- os cachorros continuariam atrás deles e ainda mais bravos, ignorando o osso; mas, com um 6, não só iriam atrás do osso, como também ficariam amigos dela!
Ela rolou o dado e me olhou, empolgada e curiosa, quando saiu 4. Disse que os cães foram atrás do osso e não voltaram -- o caminho estava livre! De volta à toca de Pedro, sãos e salvos, jantaram framboesas com pão e leite e dormiram tranquilamente.
Nada mal para um "protojogo" de aventura.

Como alguém que também tem uma filha pequena que gosta muito deste tipo de aventura em universos próprios para a idade, me identifiquei muito com essa história. É uma forma excelente de pais e filhos passarem o tempo fazendo algo juntos.
ResponderExcluirGostei muito desse relato, e queria lhe pedir autorização para postar em um blog que tenho que trata do RPG como forma de ajudar pais e filhos a passarem mais tempo juntos (https://familiesd.blogspot.com/).
Um excelente "protojogo", sem sombra de dúvida!
Sim, fique à vontade para repostar. Como tudo mais aqui, o uso é gratuito, bastando remeter a este blog.
ExcluirFico contente por você ter se identificado. A iniciativa dela foi surpreendente, eu só fui na onda, como em qualquer outra brincadeira!
Mais cedo eu vi esse outro blog que você mantém; também estou seguindo.
Grato, nobre amigo, farei o pergaminho com as devidas referências, pode ficar tranquilo.
ExcluirA brincadeira sempre flui muito melhor quando parte da própria criança. Como eu costumo dizer no outro blog, somos nós quem temos que brincar com as crianças, e não o contrário.
Parabéns pelo ótimo trabalho.
Feito!
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